"A lei é a força colocada a serviço da sociedade para o benefício de todos"
Cesare Beccaria 

 

A presença eterna de Maquiavel

Foto Info/Abril

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O artigo “Florença e os Drones”, do colunista David Brooks (New York Times) demonstra a importância do estudo da Filosofia e do pensamento de seus mais importantes formuladores, notadamente do renascentista Maquiavel.

O jornalista participa de um Curso denominado Grande Estratégia na Universidade de Yale. Todos são obrigados a ler Péricles, Sun Tzu e Maquiavel. Depois debatem as ideias dos pensadores focados nos fatos que atormentam o mundo global, especialmente a onda terrorista que abateu a América em 2001 com a destruição das torres gêmeas.

David Brooks parece fascinado pelas ideias do florentino Nicolau Maquiavel, ao discorrer sobre o amor que ele tinha por Florença, seu viés moralista e principalmente sobre a visão dos defeitos do homem, os quais, segundo ele, são geralmente brutos, ingratos, volúveis, dissimulados, cruéis, covardes, invejosos, ávidos por lucros, e quando a oportunidade aparece praticam maldades sem fim, agravadas quando estão em grupos.

Sobre o Poder, Maquiavel entendia que o governante deveria ser bom, caridoso, benevolente, editar pacotes do bem, no entanto se contradiz ao afirmar que nem sempre isso é possível no mundo da realidade fática, pela simples razão de que, para manter a ordem na sociedade e derrotar a oposição anárquica e feroz, o líder virtuoso tem que praticar medidas duras, calcadas nos maus atos, que invariavelmente produzem bons resultados. E que o governante deve se aliar as massas como antídoto contra a aristocracia empresarial. Tudo pelo amor pelo povo, que deve vir na frente de seu próprio amor.

O ápice da esperteza política se insere na afirmação maquiavélica de que o bem deve ser concedido à conta gotas, enquanto o mal deve ser praticado prontamente e de uma única vez. Lembrem-se da frase: Só tenho uma bala na agulha.

Paralelo

Brooks traça um paralelo entre a Florença do século 16, os ancestrais que criaram a América em meio a conflitos e guerras entre o Norte e o Sul e os Estados Unidos de hoje. Neste aspecto da segurança dos americanos e na guerra ao terror é que entram os drones (aviões não tripulado e altamente letais contra os inimigos). O governante fica diante da opção maquiavélica dos fins que justificam os meios. Ao utilizar uma arma que mata terrorista, mas por falta de precisão cirúrgica atinge e mata também pessoas inocentes em hospitais e as crianças nas escolas, sob a ótica de que assim agindo, estará protegendo a sociedade americana.

Barack Obama mergulhou no mundo maquiavélico ao ser eleito presidente, autorizando os bombardeios dos drones no Afeganistão, no Paquistão, no Sudão ou onde houver células de grupos terroristas que ameacem os cidadãos americanos. Para o público interno, Obama afirma que os aviões tem matado menos inocentes, do que se fossem ataques terrestres com tropas da Infantaria, mas faltam relatórios independentes que comprovem os fatos narrados.

O mais importante do arrazoado de Brooks se traduz na transcrição de que os fundadores da América, ao obterem a percepção de que os homens são venais e não confiáveis como qualquer outra pessoa comum, montaram um sistema constitucional de freios e contrapesos de modo a impedir a hegemonia de grupos ou partidos políticos.

E aqui no Brasil?

Enquanto os americanos estudam estratégia lendo e debatendo sobre os pensadores gregos, chineses, italianos e os grandes líderes mundiais, nós brasileiros vamos levando, que aqui tem samba, carnaval e futebol, big brother e novelas sem fim.

O Instituto Superior de Altos Estudos Brasileiros, que ensinava estratégica para um Brasil grande, que tinha sua sede na Rua do Pasmado em Botafogo/RJ, em um ato de insanidade somado a burrice congênita e adquirida, agravada pela de falta de amor pelo Brasil, foi fechado, em um dos primeiros atos do governo militar, nos primeiros dias de abril.

Seu presidente, Roland Corbisier, o maior filósofo do Brasil foi cassado sumariamente. Uma pena. Poderíamos estar em melhores condições no cenário mundial, se não tivessem sido cassados as nossas maiores inteligências.

Que fazer?
Por: Roberto Nascimento/Tribuna da Imprensa

Arquivado em: Filosofia, Guerra, Terrorismo, Tortura
Publicado em 25 de fevereiro de 2013 às 15:02 por José Mesquita

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