"A lei é a força colocada a serviço da sociedade para o benefício de todos"
Cesare Beccaria 

 

China, Tibet, capitalismo, ditaduras e o relativismo ‘moral’

Liu Xiaobo ganhador do prêmio Nobel da Paz de 2010

Impressiona a capacidade do capital em mistificar os fatos e distorcer as verdades conforme as conveniências.
É capaz também de subverter adjetivos.
Assim toda mídia mundial passa a chamar de “presidente” o ditador da China.
Ah, é também capaz de produz as mais inesperadas e farsescas ironias.

O Presidente Barack Obama, prêmio Nobel da Paz de 2009, vá-se lá saber por quais razões, recebe na Casa Branca, — apregoada como o grande templo da democracia e das liberdades — o dirigente chinês Hu Jintao, que mantém em prisão domiciliar incomunicável na China, o chinês Liu Xiaobo ganhador do prêmio Nobel da Paz de 2010.

A direita encastelada acima do Rio Grande, desce o malho no “Paredón” Cubano enquanto cultiva um silêncio de pedra sobre os presos da Base de Guantánamo. Por seu lado, a esquerda de “boutique” canta loas a excelência da medicina da ilha dos Castros e, claro, não abre a ‘boquita boquirrota’ para denunciar a existência de fuzilamentos sumários, censura e presos políticos no paraíso do merengue revolucionário. Fica demonstrado que o relativismo moral é ferramenta muito bem manuseada tanto pela dita esquerda como pela farisaica direita, sendo uma praga comum a todos os espectros políticos, desde os tempos burlescos de Robespierre, Danton e cia.
Fazemos qualquer negócio! Né não?
O Editor

PS 1. A Revista norte-americana Parede lista todo ano os 10 piores ditadores do planeta. A lista abaixo é o “ranking” de 2009:

  1. Robert Mugabe, Zimbabwe
  2. Omar al-Bashir, Sudan
  3. Kim Jong-Il, Coréia do Norte
  4. Than Shwe, Mianmar
  5. Rei Abdullah, Arábia Saudita
  6. Hu Jintao, China
  7. Sayyid Ali Khamenei, Irã
  8. Isayas Afewerki, Eritréia
  9. Gurbanguly Berdymuhammedov, Turcomenistão
  10. Muammar al-Kadafi, Líbia

PS 2. Vejam que o longevo Fidel Castro nem “dá para o começo” com essa turma, e Cháves e demais bolivarianos sequer merecem aparecer entre os reservas.

PS 3. É provável que levarei um puxão de orelhas seguido de um “é a economia, estúpido!”


Abandonaram o Tibet

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

Vale o preâmbulo de que toda nação tem direito à autodeterminação. Quando submetida ou subjugada por outra, caracteriza-se violência inadmissível, a menos que seu povo careça de condições econômicas, políticas e culturais de governar-se sozinho.

O Tibet, tradicionalmente, forma uma nação, e vem sendo dominado pela China há décadas ou, se quiserem, há séculos. Tem os tibetanos o direito indiscutível de independência.

Só que surge um problema: por que, durante a visita desta semana do presidente chinês, Hu Jintau, a Washington, nem o presidente Barack Obama nem qualquer congressista americano cobraram do ilustre convidado contas por estar a China oprimindo o Tibet? Sumiram, faz algum tempo, no mundo inteiro, as campanhas pela resistência contra o governo de Pequim, em termos da infeliz nação tibetana.

Certas coisas não acontecem de graça. A China incomoda meio mundo, ou mais. Aliás, já incomodava desde 1949, quando Mao Tsetung tomou o poder e estabeleceu o comunismo à moda chinesa, mais duro e inflexível do que outros espalhados pelo planeta.

Mesmo agora admitindo uma espécie de capitalismo singular, ou por causa disso, a China entrou feito faca na manteiga na economia ocidental. Através de suas multinacionais, as grandes potências financeiras aceitaram, até porque tiraram e tiram proveito das mudanças promovidas por Deng Tsiauping.

Afinal, a mão de obra que utilizam em território chinês é infinitamente pior remunerada do que em seus países de origem. Ganham rios de dinheiro, as multinacionais e a China, mas o crescimento econômico e político de nossos antípodas, importa repetir, incomoda e significa um perigo dos diabos para o capitalismo mundial, nas próximas décadas.

Assim… Assim, não interessa mais aos incomodados criar dificuldades e tentar reduzir a influência chinesa no mundo, porque não conseguirão.

Passou para o mundo ocidental a oportunidade de desacreditar a China e seu regime. A última tentativa foi quando mais um passo significativo estava prestes a ser dado pelos chineses para ampliar sua presença em todos os continentes, quando da realização das Olimpíadas.

Explicou-se, naqueles idos, a grita por liberdade ao Tibet. Até os vassalos do Dalai-Lama foram para as ruas, em suas principais cidades, protestando contra a dominação chinesa. Mais estranho ainda, em todas as capitais da Europa e adjacências multidões invadiram as embaixadas da China, queimando suas bandeiras e, como por milagre, acenando com milhares de bandeiras do Tibet, costuradas e distribuídas não se sabendo bem por quem.

Corrigindo, soube-se muito bem: pelos artífices da política agora na baixa, antes elaborada nas sombras, nos becos inidentificáveis e nos gabinetes secretos e refrigerados dos antigos donos do poder mundial. Os mesmos que fomentavam rebeliões onde quer que surgissem obstáculos à sua prevalência universal.

Pois já surgiram e parecem intransponíveis através da pujança chinesa. Desapareceram não apenas as rebeliões armadas, mas movimentos culturais, religiosos, familiares, sociais e congêneres, como os de apoio ao Tibet.

No passado, agiram com sucesso para derrubar o Muro de Berlim e levar a União Soviética à extinção. Não que aquela nação deixasse de dar motivos para ser relegada ao lixo da História, mas até o falecido Papa João Paulo II integrou-se na conspiração. Tinham feito o mesmo no Chile, na Guatemala, até no Brasil, só para ficarmos nos tempos modernos.

Parece óbvio que não podem mais virar a China de cabeça para baixo, derrotados na tentativa de criar empecilhos ao seu crescimento e à sua influência. Não dá mais para travar e até desmoralizar a nova superpotência. Curva-se o mundo à eficiência e à determinação dos chineses.

Em suma, tem azeitona nessa empada, com a evidente colaboração da mídia internacional. Não se fala mais no Tibet. O mundo mudou, mesmo. E, como sempre, um pouco para melhor, um pouco para pior…

Arquivado em: Artigos, Comportamento, Democracia, Direitos Humanos, Ditaduras, Economia, Política Internacional
Publicado em 24 de janeiro de 2011 às 12:01 por José Mesquita

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3 Responses to “China, Tibet, capitalismo, ditaduras e o relativismo ‘moral’”

  1. Em carlos costa comentou:

    Puxão de orelha não, meu caro editor mas é mesmo a economia… Os EUA são o país que mais compra produtos chineses. A China é o maior financiador do déficit público americano. Cerca de 60% das exportações chinesas são feitas por empresas de capital aberto, muitas delas, com participação americana. O comércio entre os dois compadres foi de US$ 450 bilhões nos doze meses terminados em novembro de 2010. É mais que a corrente de comércio do Brasil com o mundo.A relação dos dois países é de dependência econômica mútua. A China usa suas reservas, fruto do superávit comercial, para comprar títulos americanos. Desse jeito, o governo americano pode fazer dívidas e rolar os papéis com juros muito mais baixos — explicou o economista Raphael Martello, da Tendências consultoria…
    E quanto ao Tibet, Tibet, Tibet, putz lembro de ter ouvido um cara gritando esse nome uma vez, mas faz tempo, viu? Muito tempo…

  2. Em Mateus comentou:

    Concordo com o editor.
    Nada justifica, explica ou disfarça o cinismo de chamar somente um Ditador de Presidente. Os demais ditadores por não terem importância econômica continuarão sendo chamados de Ditadores.
    “Quanto a economia, ao invés de ‘monetizar’ fatores de produção ‘transformados’ a China trata, por exemplo, de se livrar de seus dólares comprando terras na África (para onde desloca, inclusive, parte de sua população para garantir suprimento), Petróleo no Brasil associada ao Sr. Eike Batista. Ouro na Colômbia, petróleo no Perú (está se associando ao Chavez na Venezuela) e em rota de aproximação com Morales (reservas minerais de lítio - as maiores do mundo). Bem, dizem alguns, que é a inevitável troca de hegemonia. Outros, mais benevolentes, falam em ‘multipolaridade’. Pode ser, inclusive tudo junto. A verdade, no final é uma só: trata-se de se apropriar, tanto quanto possível e no mais curto tempo, de mais fatores de produção. Velha fórmula de sempre a distinguir ricos de pobres!”

  3. Em enoch comentou:

    http://WWW.TERNUMA.COM.BR

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