"A lei é a força colocada a serviço da sociedade para o benefício de todos"
Cesare Beccaria 

 

Direito do trabalho: Empregador pode monitorar o que empregado faz no computador?

Em toda essa polêmica resta sempre a pergunta de até que ponto a Constituição Federal está, ou não, sendo violada? Está claro no art. 5º, XII: “…é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas,…”

É bem provável que a questão provoque uma demanda judicial que certamente irá exigir uma manifestação do Supremo Tribunal Federal, quanto a constitucionalidade, ou não, do ato. Também, é provável que quando o STF se manifestar, novas tecnologias terão substituído o tráfego de mensagens na internet.

O Editor


Empresa pode vigiar tudo que funcionário faz no computador do trabalho

Monitoramento é possível desde que esteja no contrato.

Confira formas que as empresas têm de fazer a vigilância.

As empresas têm o direito de monitorar tudo o que os funcionários fazem no computador do trabalho, desde que a vigilância seja previamente informada e esteja prevista em contrato. Segundo advogados consultados, caso o profissional seja pego pelo monitoramento fazendo algo proibido pelo empregador, ele pode ser demitido por justa causa.

Para quem fica o dia inteiro na frente do computador, o rastreamento pode soar invasivo, mas o argumento das empresas é que, se o instrumento é para o trabalho, ele não pode ser usado da forma que os empregados bem entendem.

Empresa paga o pato

De acordo com o advogado Renato Opice Blum, especialista em direito eletrônico, o que legitima o poder das empresas de vigiar os empregados é a própria legislação. O Código Civil prevê que o empregador é responsável por tudo o que os trabalhadores fazem usando as conexões e os equipamentos da empresa.

Isso significa que, se um funcionário cometer um crime por meio do computador do trabalho, a empresa responde judicialmente pelo caso. O funcionário também poderá responder pelo crime, mas os prejudicados costumam processar as empresas por conta de elas terem mais poder e dinheiro em caso de indenizações. “Quem paga o pato é a empresa”, afirma Blum.

E-mail pessoal

O monitoramento do e-mail pessoal é a questão mais polêmica, explica o advogado trabalhista Alan Balaban Sasson, uma vez que muitos profissionais alegam ser invasão de privacidade.

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De acordo com o advogado, o monitoramento único e exclusivo do e-mail pessoal do trabalhador não é permitido, mas os programas de vigilância acabam monitorando o e-mail particular quando ele é acessado no computador da empresa.

No entanto, se está previsto em contrato que o computador é monitorado e que, caso o funcionário entrar no e-mail pessoal a página também poderá ser monitorada, e mesmo assim o profissional opta por acessar o e-mail, fica difícil querer questionar a empresa pelo ocorrido.

“O contrato é a palavra-chave. O que o chefe não pode é simplesmente chegar a falar ‘deixa eu olhar seu e-mail pessoal’. Nesse caso, seria uma coação”, afirma. Coação é uma ação injusta feita a uma pessoa, impedindo a livre manifestação da vontade do coagido.

O advogado Blum aconselha que as empresas proíbam ou bloqueiem o acesso ao e-mail pessoal para evitar dores de cabeça com a questão.

Bloqueios

Desde que registrado no contrato, as empresas têm o direito de permitir ou bloquear qualquer tipo de ferramenta no computador, além de poder usar de diversos meios para vigiar o funcionário. “Do mesmo jeito que é permitido colocar um supervisor para monitorar o trabalho, é possível fazer a vigilância eletrônica”, explica Sasson.

É permitido, inclusive, gravar conversas do MSN, rastrear arquivos deixados na máquina e monitorar as palavras escritas pelo funcionário.

Justa causa

Além da questão jurídica, as justificativas das empresas para fazer o monitoramento são muitas, explicam os advogados, e vão desde proteger informações confidenciais da companhia a até mesmo acompanhar a produtividade do trabalhador.

Objetivos vão desde proteger informações confidenciais da companhia a até mesmo acompanhar a produtividade do trabalhador”

Caso um funcionário seja pego pelo monitoramento fazendo algo proibido em contrato pela empresa, ele pode ser mandado embora por justa causa, dizem os advogados.

Em casos de flagrantes de descumprimentos não tão graves, como o acesso a uma rede social quando isso for proibido, o funcionário recebe uma advertência. Em caso de reincidência, ele recebe suspensão e, se repetir pela terceira vez, pode ser mandado embora por justa causa.

Já se ele for pego fazendo algo mais grave, como acessando sites de pornografia infantil, por exemplo, a demissão por justa causa pode ser imediata.

Mercado

De olho nesse grande mercado, uma vez que o computador é cada vez mais a principal ferramenta de trabalho nas empresas, desenvolvedoras de softwares usam a criatividade para oferecer programas que atendam às demandas dos empregadores (veja no quadro acima).

O diretor da desenvolvedora BRconnection, Francisco Odorino Pinheiro Neto, afirma que tanto empresas pequenas como grandes o procuram em busca de soluções.

MSN

Entre os programas desenvolvidos pela empresa está um software que controla o uso do MSN. Com a ferramenta, é possível definir com quais pessoas o funcionário pode interagir e gravar as conversas realizadas. Neto explica que o programa notifica os participantes sobre a gravação.

O programa também rastreia as palavras usadas pelo funcionário na conversa e, se necessário, impede que alguns termos sejam enviados.

Senha bancária

A Guidance Software, outra empresa que desenvolve softwares de monitoramento, oferece um produto que monitora tudo o que o funcionário faz no computador, desde arquivos utilizados, a e-mails escritos e sites visitados.

Fabrício Simão, gerente técnico para a América Latina da empresa, diz que, com determinados produtos, é possível gravar até a senha bancária digitada nos sites dos bancos. Portanto, recomenda-se muito cuidado ao utilizar serviços bancários em computadores do trabalho.

Gabriela Gasparin/G1

Arquivado em: Ação Direta de Inconstitucionalidade, ADI, ADIN, CLT, Código Civil, Códigos, Consolidação das Leis do Trabalho, Constituição Federal, Direito, Direito do Trabalho, E mail, Internet, Justiça, Legislação, Sentenças, STF, Tecnologia, Tecnologia da Informação, Tribunais
Publicado em 27 de março de 2010 às 09:03 por José Mesquita

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57 Responses to “Direito do trabalho: Empregador pode monitorar o que empregado faz no computador?”

  1. Em Jaquiel Luppi comentou:

    Olá, tenho a impressão que as ultimas empresas que trabalhei, hackearam meu pc, particular de uso domestico, pois trabalhei de mecânico, garçom e operário, sem fazer uso do pc na empresa.
    Outra duvida, hoje em dia, todos os ambientes de trabalho, são monitorados por câmeras, sendo que sabe-se que cameras de segurança, geralmente não captam o som, pode o empregador simular uma situação, e usar essa imagem como prova, contra o trabalhador?

  2. Em Daniela comentou:

    Olá, onde trabalho foi liberado o uso do Skype, só que a conta que usamos é de nosso e-mail particular pois, a empresa não criou um e-mail para usarmos, a gerente da empresa olhou em todos os computadores as conversas dos funcionários pelo Skype, sem nos avisar e isso não está em contrato que iria acontecer, como meu Skype é particular, posso entrar com um processo contra ela? E se eu tiver um amante conversar com ele só por ali, são informações particulares.

  3. Em Janete comentou:

    Boa tarde!

    Desejo saber se a empresa (laboratório) pode me obrigar a usar rede (redinha) na cabeça?
    Sou auxiliar de ultrassonografia, o uso desta “redinha” não existia na empresa e, de repente vieram com a redinha, dizendo que sou obrigada a usar, se meus cabelos são longos, ficarão oleosos, etc. – Disseram pra eu “me virar”, anunciando que se tratava de uma advertência verbal e que a próxima será por escrito.
    Eu me recuso a usar, não gosto e vai danificar meus cabelos. Sou obrigada a usar? Por gentileza, respondam-me e orientem-me de como proceder!
    Grata,
    Janete

  4. Em Miria comentou:

    Bom dia,k
    Gostaria de tirar uma duvida.
    A empresa onde trabalho desde quando foi admitida em 2014, teve acesso a internet em todos os micros sem monitoramento a mais ou menos uns 2 meses passou se a monitorar, nunca fui informada verbalmente nem por escrito e nem no contrato de

  5. Em Sonia comentou:

    Olá, tenho duvidas sobre o monitoramento por câmeras em locais de trabalho. Dou aulas em um cfc, aulas teóricas, e sou filmada o tempo todo. Sei que meu chefe fica me vigiando, sem motivos, pois estou a treze anos na empresa. E, isso está me fazendo mal, me sinto constrangida. Minha pergunta é se isso está dentro da lei.

  6. Em fabricio comentou:

    Boa noite, uma dúvida em relação ao monitoramento por câmeras de segurança.
    Trabalhei em um prédio público,e eu e meus colegas de trabalho estavam sendo fiscalizados pelas câmeras de segurança, não só no horário de expediente mas também no horário que o prédio estava fechado, ou seja todos os dias eles pegavam as gravações que as câmeras de segurança gravaram na noite que se passou, isso é correto obrigado

  7. Em Paôla comentou:

    Tenho uma duvida,
    sou monitorada pelo Team Viewer durante meu serviço sem que eu precise permitir a entrada em meu pc. isso é certo? pode ocorrer?

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