Lei seca para motoristas e a Lenda Árabe
Por Wálter Maierovitch¹
No boletim Justiça e Cidadania desta terça conversei com a competente jornalista Fabíola Cidral sobre a nova legislação referente ao consumo de álcool e drogas proibidas por condutores de veículos automotores.
Aí, encontrei na minha caixa-postal várias mensagens. A maioria dos ouvintes do Justiça e Cidadania queria saber sobre a lenda árabe referida no boletim. Ou seja, sobre as três fases “animais” da embriaguez.
Vamos lá. Primeiro, quem lembra do Cesare Lombroso, nascido em Verona em 1835 e criador da Antropologia Criminal?
Como todos lembram, podemos prosseguir. Efetivamente, ele se tornou inesquecível com a sua furada teoria sobre o criminoso nato . Médico legista, psiquiatra e criminologista, Lombroso escreveu a célebre obra “L´Uomo Delinquente” (O Homem Delinqüente).
Com efeito, fiquei a saber da lenda árabe por meio da obra de Lombroso. Numa tradução livre, Lombroso lembrou ter o diabo regado com sangue de três animais a primeira videira: macaco, leão e porco.
A videira da lenda, observa Lombroso, fora plantada por Adão e não por Noé. E os três animais, — macaco, leão e porco–, simbolizariam as três fases da embriaguez.
Na primeira fase, a do macaco, o indivíduo fica irrequieto e buliçoso. Na segunda, do leão, tansforma-se em violento e agressivo. Na terceira, vira sórdido.
Por ocasião do boletim, o motorista-macaco fica falante, loquaz. Torna-se desatento e irrequieto. Os freios inibitórios ficam liberados para as imprudências. Também, registre-se, para inconfidências: in vino veritas .
O motorista-leão, a segunda fase da embriaguez, vira irritado e violento. Quase sempre, pode ser percebido com a mão fechada e apenas o dedo-médio esticado. O braço rígido é esticado para fora do vidro.
A terceira fase, do motorista-porco é a da sonolência, que progride para o estado comatoso. Nada a ver com o porco do Palmeiras, um glutão de títulos e copas.
¹Wálter Fanganiello Maierovitch
Paulista, 60 anos, é comentarista da CBN, colunista da revista Carta Capital e colaborador da revista italiana Narco-Mafie. Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo e presidente e fundador do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais, é também professor de pós-graduação em direito penal e processual penal, além de professor-visitante da Universidade de Georgetown (Washington-EUA).
É conselheiro da Associação Brasileira dos Constitucionalistas-Instituto Pimenta Bueno da Universidade de São Paulo (USP), ex-secretário nacional antidrogas da Presidência da República, titular da cadeira 28 da Academia Paulista de História.
e-mail: jc@cbn.com.br
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