"A lei é a força colocada a serviço da sociedade para o benefício de todos"
Cesare Beccaria 

 

Privacidade e as redes sociais

Tenhamos todos a consciência de que a privacidade é mais que um fato social. É um valor social.

Afinal só mesmo Platão a pregar que a natureza do homem é racional e que tal racionalidade produz um ser pleno de felicidade e virtude.

A segurança digital é um assunto que a poucos interessa.

Assim como as ações no mundo real, o uso da internet implica é um conjunto de responsabilidades e cuidados com as relações sejam sociais ou profissionais.

De há muito que a privacidade migrou do restrito ambiente familiar para o mundo conectado.

E quando falo conectado falo não só da rede de computadores, mas também de celulares, Smartphone e até eletrodomésticos, geladeiras, por exemplo, hoje conectadas via internet com sites dos fabricantes, revelando a esses, entre outros dados, o conteúdo dos alimentos em seu interior.

Cabe às redes sociais utilizarem a responsabilidade de usarem suas interligações para promoverem o esclarecimento de tão fundamental aspecto na vida das pessoas.

O Estado, como sempre um invasor descarado da privacidade do cidadão, no Brasil busca essa invasão através das reiteradas leis principalmente a de autoria do senador Eduardo Azeredo.

O Editor


As reclamações são freqüentes: a internet e as redes sociais estão acabando com a nossa privacidade.
por: Risoletta Miranda ¹/blog do Noblat

O fato é que a cada dia temos mais recursos que, efetivamente, estão colocando o conceito de privacidade de pernas para o ar. Só para citar dois últimos: o Street View do Google e o próprio FourSquare*. Esta, a rede de georreferenciamento via celular que, a partir de um clique (ou um “check in”), mostra todas as coordenadas de onde você está.

No entanto, o que parece que as pessoas não vêem é que privacidade em tempo de web tem muito menos a ver com as citadas redes sociais e aplicativos do que se imagina. O recurso mais inovador e determinante nesse tema continua a ser o humano.

As redes sociais nasceram com a “genética” da colaboração e da troca de idéias. De forma natural evoluíram para troca de informações sobre serviços e notícias.

Ao participar de uma rede você pode dizer absolutamente tudo sobre sua vida. Mas ter seus dados ali não está exatamente associado ao fato de você ter aberto um perfil em alguma delas. E aí a questão da privacidade fica mais complexa: ir para a rede pode não ser uma decisão sua.

Exemplo? Basta ter um filho Geração Z, ali pelos 12 anos, com perfil no Orkut e no Twitter e freqüentador de transmissões de vídeo ao vivo pelo web (as Twittcams). Com 3 posts ele pode deixar indexado no Google para milhões de pessoas o seu endereço, o menu do dia, a decoração da casa e, com o celular, indicar onde está comendo – talvez com você – um hamburger no shopping.

Isso pode significar muito para pessoas preocupadas com possíveis ladrões de informações em tempo real na internet e que estudam o comportamento das famílias para assaltar condomínios. E também é significativo para as marcas que querem entender e ouvir o que as pessoas comentam para criar relacionamentos mais relevantes com seus clientes.

Não consigo concordar com quem afirma que as redes sociais estão acabando com a privacidade. A privacidade é um conceito que se constrói em família, como se faz com a ética, honestidade e responsabilidade.

Os pilares de formação da Geração Z, que vai para as redes “contando” tudo sobre a sua vida – e por extensão, de toda a família – estão muito mais ligados a como ela participa da construção desses mesmos pilares dentro de casa. Incluindo discernir sobre como usar as redes sociais. É como estudar inglês ou ter disciplina para fazer o dever de casa.

Hoje é Twitter e Orkut e amanhã será qualquer outra rede com qualquer outro nome. Isso não fará diferença. O que não mudará é que temos um ambiente de colaboração gigantesco, generoso e, claro, também com caminhos ainda labirínticos. Algumas vezes não sabemos para onde nos levarão.

Mas, enquanto estivermos seguros da parte que nos toca, isso não é problema. É solução. Daí é melhor pensar em pessoas (e filhos, no exemplo citado) educadas nos princípios essenciais da vida. Antes de tudo, privacidade ainda é coisa da “rede social familiar”.

¹ Risoletta Miranda é jornalista, tem MBA em Marketing e é diretora executiva da FSB PR Digital (área digital da FSB Comunicações)


* Nota do Editor
O Foursquare é um serviço de geolocalização. O sistema, quando você se inscreve nessa rede social, permite que você indique aonde está através de um aplicativo no seu celular. Você abre o aplicativo e aparece uma lista de lugares.

Você indica o lugar em que você chegou, escolhe se vai avisar seus amigos ou não e se quer que esse check-in (esse é o nome que o Foursquare dá para a ação que você executa no aplicativo para dizer que chegou em algum lugar) apareça no twitter e facebook.
com informações de Interney.net

Arquivado em: Blogs, Celulares, Comportamento, Facebook, Google, Internet, Invasão de Privacidade, Orkut, Redes Sociais, Tecnologia da Informação, Twitter
Publicado em 22 de novembro de 2010 às 07:11 por José Mesquita

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