"A lei é a força colocada a serviço da sociedade para o benefício de todos"
Cesare Beccaria 

Responsabilidade na educação digital

Educação digital

Estamos presenciando uma verdadeira revolução digital, onde novas formas de comunicação surgem a cada dia.

Embora nós não tenhamos sido educados por estes parâmetros, o perfil do jovem atual é muito diferente, suas habilidades já se desenvolvem integradas à este novo paradigma, o que envolve uma aprendizagem muito mais autônoma do que qualquer outra época.

Nosso papel enquanto educador vai muito além da sala de aula e conteúdos específicos, temos que contribuir para o desenvolvimento pleno do aluno, o que inclui capacidade, e habilidade de distinguir situações e tomar decisões.

Não estamos mais presos à educação tradicional em métodos e nem mesmo em conteúdos.

Hoje temos que focar na construção do conhecimento e no aprender a aprender contemplando nesse contexto fatores ligados à realidade.

Não adianta usarmos como exemplo um disco de vinil se as crianças de hoje usam CDs.

Podemos e devemos explicar o que é, como se utilizava mas para chegar a esses detalhes de conceitos e histórias, temos que partir de situações reais.

Por que não utilizar um CD para explicar o que é um disco?

Não adianta querer fugir, a internet expandiu os horizontes da comunicação, trouxe uma nova realidade e com ela novas preocupações e riscos.[ad#Retangulos - Direita]

Temos que buscar formas de utilizar e tirar proveito dos benefícios minimizando ao Maximo os riscos.

Isto acontece através da “Educação Digital”.

A preocupação com a má utilização da internet não é apenas local, mas sim mundial.

Os Estados Unidos, por exemplo, aprovaram em 2002 o “Children’s Internet Protection Act” , desde então as escolas e bibliotecas subsidiadas pelo governo federal são obrigadas a manter um sistema garantindo que menores não tenham acesso à conteúdos obscenos.

É necessário pensar em formas de atuação educacional para conscientizar e direcionar a utilização responsável dos meios digitais.

Os blogs, por exemplo, conhecidos como diário de bordo ou diário on-line tornou-se hoje uma ferramenta poderosa entre crianças, jovens e adultos.

Até mesmo grandes empresas utilizam deste meio para obter um contato mais próximo com o consumidor.

Infelizmente, da mesma forma que nos traz benefícios e ajuda no desenvolvimento e comunicação dos alunos também acaba se tornando uma forma de expor cada um. Isto pode ser bom, mas apenas se utilizado de forma responsável.

Vejam bem, não estou falando apenas dos jovens, mas sim dos usuários numa forma geral.

A situação muitas vezes se agrava pelo fato do usuário pensar que está escondido atrás de um monitor, mas a verdade é que temos uma identidade digital e ela pode ser rastreada.

Problemas como ameaça, calúnia, injuria e difamação estão sendo cada vez mais constantes nas comunidades e nos blogs, sem falar no entendimento errôneo que a população em geral tem sobre o direito que nos garante a Constituição de Liberdade de Expressão.

Na verdade existe sim a Liberdade, mas com responsabilidade de expressão.

Não podemos invadir nem violar outros direitos como o de privacidade, honra e imagem, em nome deste.

Mesmo porque, o Código Civil em seu art. 187, caracteriza como ato ilícito o uso abusivo de um direito.

Assim, enquadra-se nesse artigo quem abusa do direito de liberdade de expressão à que viola o direito do outro.

Cristina Sleiman – advogada, pedagoga e Mestre em Sistemas Eletrônicos pela USP. Co-autora do livro e audiolivro Direito Digital no Dia a Dia. – cristina@sleiman.com.br

Arquivado em: Blogs, Brasil, Código Civil, Comportamento, Constituição Federal, Educação, Internet, Redes Sociais, Tecnologia da Informação
Publicado em 22 de maio de 2011 às 07:05 por José Mesquita

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